Robert Pirsig (in: "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas")

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terça-feira, 6 de abril de 2010

PADRES PEDÓFILOS ITALIANOS...



Itália tem 130 padres envolvidos em casos de pedofilia nos últimos 2 anos


ROMA, Itália (AFP) - Um total de 130 padres foram detidos, indiciados e condenados nos últimos dois anos dentro de processos por pedofilia na Itália, informou nesta terça-feira o jornal Il Fatto, citando um advogado para afirmar que este número "representa apenas a parte visível do iceberg".


De Bolzano, norte, a Trapani, sul, as promotorias italianas se viram confrontadas com o fato de ter que realizar investigações envolvendo eclesiásticos e onde as vítimas eram jovens, geralmente muito jovens, segundo o jornal.

"É uma cifra alarmante se considerarmos que é apenas a parte visível do iceberg, se pensarmos em todos os casos que ainda não tiveram eco na imprensa ou que não foram denunciados na justiça", afirmou o advogado Sergio Cavaliere, que reuniu a documentação sobre os 130 casos citados, sempre de acordo com o jornal.

"Em nenhum caso o bispo local advertiu à polícia sobre as suspeitas de casos de abusos", indicou Cavaliere.

Segundo Pietro Forno, juiz da promotoria de Milão (norte) que instruiu inúmeros expedientes de padres suspeitos de pedofilia, 10 dos quais foram condenados, "nos casos tratados as queixas jamais foram apresentadas por um bispo ou outros religiosos e sim por membros da família que primeiramente recorreram, sem qualquer êxito, às autoridades eclesiásticas", acrescenta o jornal.

Por outra parte, a polícia suspeita da existência de "uma rede de religiosos que têm uma paixão pelos menores".

"Em mais de um caso, os investigadores estabeleceram que o religioso que cometia abusos sexuais contra menores compartilhava desse desvio com outro correligionários", acrescenta a publicação italiana.

Desde o final de 2009, a Igreja Católica está abalada por revelações sobre uma série de abusos de pedólfilos cometidos por religiosos, geralmente acobertados por sua hierarquia na Europa e, em particular, na Irlanda, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas cada vez mais também na Itália.

Nas últimas semanas, o próprio Papa Bento XVI foi questionado pela impensa alemã e americana por ter, segundo as fontes, mantido silêncio sobre vários abusos do tipo quando era o arcebpiso de Munique e depois prefeito da Congreção para a Doutrina da Fé no Vaticano.

A Santa Sé nega todas as acusações.

quinta-feira, 25 de março de 2010

VATICANO PODERÁ ABRIR "ARQUIVOS SECRETOS"!



Escândalos podem forçar papa a abrir arquivos secretos, diz vaticanista

Um especialista em Vaticano disse à BBC Brasil que, com a série de denúncias de abusos sexuais contra menores cometidos por religiosos católicos, o papa Bento 16 poderá ser obrigado a divulgar arquivos secretos do Vaticano.

Segundo Marco Politi, o Vaticano terá que escolher entre seguir na linha de transparência ou voltar atrás.

"O papa está numa encruzilhada e terá que abrir os arquivos secretos da Congregação para a Doutrina da Fé se quiser ser coerente com a transparência que defende", disse ele em entrevista à BBC Brasil.

Na avaliação do vaticanista, Bento 16 foi muito rigoroso e corajoso na carta aos irlandeses, publicada no sábado passado, ao exigir total transparência e afirmar que os padres responsáveis por abusos sexuais contra menores devem ser punidos.

"O papa disse que deve haver punição e que as vítimas não foram ouvidas. Deve então ser coerente com esta linha e abrir os arquivos do Santo Ofício. Tendo feito uma carta tão rigorosa e transparente, ou volta atrás sobre a transparência ou deve ir até o fim", afirma o vaticanista.

O tribunal do Santo Ofício, ou Inquisição, era o antigo nome da atual Congregação para a Doutrina da Fé, órgão da cúria romana responsável pela ortodoxia da Igreja Católica e pelas questões disciplinares. Joseph Ratzinger foi prefeito da congregação de 1981 até 2005, ano em que foi eleito papa Bento16 Na avaliação do vaticanista, após terem surgido denúncias em diversos países, o escândalo da pedofilia agora entrou no Vaticano.

"O furacão da pedofilia, depois dos Estados Unidos e da Europa, chegou na Alemanha, pátria do papa, depois na diocese do papa, agora dentro do Vaticano, na Congregação da Doutrina da Fé, onde Joseph Ratzinger foi prefeito, apontando para a sua responsabilidade direta", disse Marco Politi.

3 mil casos A denúncia de novos casos de pedofilia envolvendo um padre americano, divulgada pelo jornal The New York Times nesta quinta-feira, tornaram o quadro ainda mais grave.

Segundo o analista, após o caso denunciado pelo jornal, o importante não é mais saber o que foi feito nas dioceses dos Estados Unidos, da Alemanha, Irlanda ou Holanda, mas sim o que houve com os 3 mil casos de abusos assinalados ao Vaticano.

"Monsenhor Charles J. Scicluna, (promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé) afirmou dias atrás que houve 3 mil denúncias de abusos contra menores nos últimos dez anos. O que aconteceu com estas denúncias? Quantas foram julgadas? Quantos religiosos foram considerados culpados e quantos foram punidos? É preciso dar explicações e não admitir mais que os casos sejam ocultados", disse Politi.

O vaticanista considerou "fraca" a primeira reação do Vaticano, que definiu como "trágico" o caso denunciado pelo jornal americano.

Segundo o The New York Times, o Vaticano havia sido informado a respeito dos abusos cometidos pelo padre Lawrence Murphy, que molestou cerca de 200 crianças de uma escola para surdos no Estado do Wisconsin, ao longo de 24 anos, mas não tomou nenhuma providência.

O jornal afirma ter tido acesso aos documentos que as vítimas apresentaram à Justiça, entre eles a correspondência entre os bispos dos Estados Unidos e as autoridades do Vaticano, entre elas o cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e seu vice, cardeal Tarcisio Bertone, atual secretário de Estado vaticano.

"O trágico caso do padre Lawrence Murphy, da arquidiocese de Milwaukee envolveu vítimas particularmente vulneráveis que sofreram terrivelmente com o que ele fez. Cometendo abusos sexuais contra crianças surdas, violou a lei e sobretudo a confiança que suas vítimas tinham nele", diz uma nota do Vaticano, assinada pelo porta-voz Federico Lombardi, divulgada nesta quinta-feira.

Padre Lombardi afirma que algumas das vítimas de padre Murphy denunciaram os abusos para o tribunal civil nos anos 70, mas as investigações não prosseguiram e o Vaticano teve conhecimento dos casos apenas 20 anos depois.

Direito canônico Segundo o porta-voz do Vaticano o sacerdote acusado não foi punido e expulso da Igreja porque o direito canônico não prevê "punições automáticas" mas recomenda que seja feito um processo que pode levar até à expulsão do religioso.

"Considerando que padre Murphy era idoso, muito doente e vivia em isolamento, sem outras denúncias de abusos por mais de 20 anos, a Congregação para a Doutrina da Fé sugeriu ao arcebispo de Milwaukee que limitasse as atividades dele, exigindo que assumisse a responsabilidade da gravidade de seus atos", diz a nota do porta-voz do papa.

Padre Federico Lombardi informou que a Igreja Católica nunca proibiu que os casos de abusos contra menores fossem denunciados à Justiça Civil.

Na edição desta quinta-feira, o L'Osservatore Romano (jornal oficial da Santa Sé) diz que a denúncia feita pelo The New York Times, tem o "ignóbil objetivo de atingir o papa e seus colaboradores de qualquer jeito".

"A tendência que prevalece na mídia é de não dar atenção aos fatos e forçar as interpretações para difundir uma imagem da Igreja Católica como se fosse a única responsável por abusos sexuais", diz o jornal, que rebate cada acusaçao feita no artigo do The New York Times

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CRIE TRAMBICAGEM RELIGIOSA POR R$ 418,00 E LIVRE-SE PARA SEMPRE DE IMPOSTOS (E O POVO QUE SE EXPLODA!)



Criar igreja e se livrar de imposto custa R$ 418. Bastaram dois dias
úteis e R$ 218,42 em despesas de cartório para a reportagem da Folha
criar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200, a Igreja Heliocêntrica
do Sagrado EvangÉlio já tinha CNPJ, o que permitiu aos seus três
fundadores abrir uma conta bancária e realizar aplicações financeiras
livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações
Financeiras) .

Seria um crime perfeito, se a prática não estivesse totalmente dentro
da lei. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a
constituição de uma igreja. Tampouco se exige um número mínimo de
fiéis.Basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social
num cartório. Melhor ainda, o Estado está legalmente impedido de
negar-lhes fé. Como reza o parágrafo 1º do artigo 44 do Código Civil:
"São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o
funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder
público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e
necessários ao seu funcionamento" .

A autonomia de cada instituição religiosa é quase total. Desde que
seus estatutos não afrontem nenhuma lei do país e sigam uma estrutura
jurídica assemelhada à das associações civis, os templos podem tudo.A
Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, por exemplo, pode sem muito
exagero ser descrita como uma monarquia absolutista e hereditária.
Nesse quesito, ela segue os passos da Igreja da Inglaterra
(anglicana), que tem como "supremo governador" o monarca
britânico.Livrar- se de tributos é a principal vantagem material da
abertura de uma igreja.

Nos termos do artigo 150, VI, b da Constituição, templos de qualquer
culto são imunes a impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e
os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais.Isso
significa que, além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU
(imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), ISS
(serviços), para citar só alguns dos vários "Is" que assombram a vida
dos contribuintes brasileiros. A única condição é que todos os bens
estejam em nome do templo e que se relacionem a suas finalidades
essenciais -as quais são definidas pela própria igreja.

O caso do ICMS é um pouco mais polêmico. A doutrina e a jurisprudência
não são uniformes. Em alguns Estados, como São Paulo, o imposto é
cobrado, mas em outros, como o Rio de Janeiro e Paraná, por força de
legislação estadual, igrejas não recolhem o ICMS nem sobre as contas
de água, luz, gás e telefone que pagam.

Certos autores entendem que associações religiosas, por analogia com o
disposto para outras associações civis, estão legalmente proibidas de
distribuir patrimônio ou renda a seus controladores. Mas nada impede
-aliás é quase uma praxe- que seus diretores sejam também sacerdotes,
hipótese em que podem perfeitamente receber proventos.

A questão fiscal não é o único benefício da empreitada. Cada culto
determina livremente quem são seus ministros religiosos e, uma vez
escolhidos, eles gozam de privilégios como a isenção do serviço
militar obrigatório (CF, art. 143) e o direito a prisão especial
(Código de Processo Penal, art. 295).Na dúvida, os filhos varões dos
sócios-fundadores da Igreja Heliocêntrica foram sagrados
minissacerdotes. Neste caso, o modelo inspirador foi o budismo
tibetano, cujos Dalai Lamas (a reencarnação do lama anterior) são
escolhidos ainda na infância.

Voltando ao Brasil, há até o caso de cultos religiosos que obtiveram
licença especial do poder público para consumir ritualisticamente
drogas alucinógenas. Desde os anos 80, integrantes de igrejas como
Santo Daime, União do Vegetal, A Barquinha estão autorizados pelo
Ministério da Justiça a cultivar, transportar e ingerir os vegetais
utilizados na preparação do chá ayahuasca -proibido para quem não é
membro de uma dessas igrejas.

Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando
votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas.
Templos de qualquer culto poderão, por exemplo, reivindicar apoio do
Estado na preservação de seus bens, que gozarão de proteção especial
contra desapropriação e penhora.O diploma também reforça disposições
relativas ao ensino religioso. Em princípio, a Igreja Heliocêntrica
poderá exigir igualdade de representação, ou seja, que o Estado
contrate professores de heliocentrismo.

Fonte: Folha de São Paulo do domingo, dia 29 de dezembro de 2009.

Na foto: Edir Macedo, "bispo" da Igreja Universal quando de sua estada na prisão no Rio de Janeiro na década de 80 por molestar sexualmente uma menor. Um milhão de fiéis cordeirizados foram às ruas pedir sua libertação, alegando que ele sofria os mesmos martírios de Cristo. Pergunta: desde quando Jesus molestava menores?!?